A morte de Game of Thrones – MFC Editorial

 

A morte de Game of Thrones

 

MFC Editorial

 


 

Game of Thrones, uma das séries mais populares da história, terminou mês passado com a crítica de milhões de fãs decepcionados.

 

Depois de oito anos de lealdade, até os seguidores mais antigos desta história levantaram a voz afirmando que o final da série pareceu apressado, incompleto, ou até alegando que Game of Thrones perdeu seu rumo muito antes da oitava e última temporada estrear.

 

Neste MFC Editorial, avaliamos os temas de Game of Thrones e tentamos oferecer uma possível resposta ao fracasso do final de uma das histórias mais interessantes da última década.

 

 

Veja nossa resenha do capítulo final de Game of Thrones aqui

 

 

Um estudo sobre a morte

 

 

Um dos pontos fortes de Game of Thrones, além do seu universo interessante e personagens carismáticos, é a riqueza temática que introduz ao género de fantasia épica.

 

Mais do que um thriller político que explora noções de poder, Game of Thrones se diferencia de qualquer outra série pela maneira particular em que usa a morte como tema e motivo narrativo. Devido a isso, a série brilha com suas reviravoltas que, em sua maioria, gira em torno da morte de personagens chaves, nos deixando com a bela sensação de incerteza que nos faz ansiar pelo próximo episódio.

 

Game of Thrones parece ser uma série que se trata especialmente sobre a morte e cada um de seus personagens se desenvolve em função a sua relação com esta. Como morrem e por quê, que pensam da morte, que valor dão, como ganham e perdem diante dela. Assim é desde o primeiro episódio, onde a primeira coisa que acontece é a revelação da antagonista, a Morte, através da aparição dos espíritos. Em seguida, nos é apresentado o primeiro herói da história, Eddard Stark, cujo sentido de honra e responsabilidade compreendemos por causa do motivo e da maneira em que tira uma vida ao executar um desertor da Patrulha da Noite que, fugindo de seu destino, acaba encontrando-o.

 

A temporada termina com a decapitação de Stark, graças a mesma honra que o caracterizou, dando um grande desfecho ao seu arco narrativo e consolidando os temas da série. Enquanto isso, ao norte, Jon Snow se certificava de que a guerra dos homens pouco importava frente a ameaça de uma noite eterna. A partir deste ponto, cada temporada termina com a promessa que os Caminhantes Brancos se movimentam para tomar o mundo dos vivos, o maior perigo que os personagens deveriam enfrentar: a Morte em carne e osso.

 

 

Disfruta nosso TOP 5 dos melhores episódios de Game of Thrones aqui

 

 

O que deu errado?

 

 

Tendo estabelecido a morte como tema central da história pelos últimos sete anos, existe um mal-estar com o desenvolvimento dos eventos da última temporada, sendo uma característica que se notou desde a quinta temporada, em que a série começava a se desviar da história dos livros e os showrunnwes, David Benioff e D. B. Weiss, ficaram sem história para adaptar. Exemplos dessa divergência são as mortes de personagens como Barristan Selmy e Stannis Baratheon, assim como o extermínio da casa Martell; arcos e personagens de grande valor na história geral até que se converteram em obstáculos narrativos para a série.

 

A oitava temporada de Game of Thrones levou isso mais adiante ao dar a Morte o mesmo destino que sofreram os personagens mencionados, e destruindo os pilares sobre os quais foram construídos a história. Desta maneira, deixou de lado a narrativa do Rei da Noite e converteu a luta pelo trono o fato central da série, tendo ambos arcos finais pouco satisfatórios para o desenvolvimento que haviam tido.

 

Levando em conta este fator, a ausência de um livro para adaptar não é desculpa suficiente para a caída da qualidade narrativa que sofreu a temporada final de Game of Thrones, já que não é necessário ter lido os livros para se sentir insatisfeito com uma história que não valeu tanto a pena, um desfecho concreto para os temas que explorou através de seus personagens.

 

Embora a última temporada de Game of Thrones encerra vários arcos narrativos de forma positiva, nela é despachado não só personagens, mas também a noção básica que fez de Game of Thrones a série que é, um projeto de seu criador George R. R. Martin.

 

A maioria das críticas ressalta a pressa com que a série termina, chegando a conclusões que, embora possam ter sido certeiras, falharam em dar um desenvolvimento exitoso aos motivos e causas, fazendo com que o público queira mais episódios ou temporadas para um final melhor. Martin tinha afirmado que estava disposto a expandir até treze temporadas e a HBO parecia estar de acordo, porém, David Benioff e D. B. Weiss afirmaram que estender a série não era possível em termos de orçamento, então decidiram encerrar na oitava.

 

 

Conclusões

 

 

Embora alguns afirmam que o desfecho apressado de Game of Thrones é por causa do interesse de David Benioff e D. B. Weiss em iniciar novos projetos, como a nova trilogia do Star Wars, as razões por detrás de suas decisões são irrelevantes.

 

O fato é que, na intenção de levar a série ao melhor final possível, Game of Thrones terminou como uma subversão dos temas principais da história original, como geralmente acontece com as adaptações cinematográficas de trabalhos literários.

 

Apesar disso, para todo fanático que ficaram com vontade de mais histórias de Westeros, a HBO trabalha em conjunto com George R. R. Martin no processo criativo de novas séries no universo de Game of Thrones, um bom entretenimento enquanto esperamos o sexto livro de As Crônicas de Gelo e Fogo, a saga literária em que está baseado Game of Thrones.

 

 

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